Motorista de aplicativo anotando custos da corrida em um caderno no capô do carro

Eu já perdi muito tempo tentando entender por que, no fim do mês, o dinheiro da rua parecia sumir. Ganhar até que eu ganhava, mas sobrava pouco. E foi só depois de anotar tudo que percebi que o custo por corrida no transporte de passageiros e entregas rápidas é muito mais alto do que muita gente imagina.

Neste texto, eu vou mostrar exatamente como faço para saber quanto gasto em cada corrida ou entrega. Vou usar exemplos com números reais, sugestões práticas do Grana na Rua e explicar de um jeito que dê para aplicar já no próximo dia de trabalho, sem precisar virar um contador.

Por que saber o custo real é tão importante?

Se você trabalha com transporte de passageiros, entregas ou qualquer serviço onde recebe por viagem, corrida ou entrega, precisa saber quanto gasta para poder calcular se realmente teve lucro ou prejuízo.

Já vi relatos e vivi situações onde motoristas e motoboys achavam que só o combustível era o gasto importante. Mas, na prática, existem muitos outros custos por trás. Quando ignorei isso, achei que estava ganhando bem. Mas só acordei quando precisei trocar pneu, arrumar freio, fazer revisão e vi meu saldo cair.

Cuidar do dinheiro não é frescura. É sobrevivência de quem vive do dia a dia.

O que entra no cálculo do custo por viagem?

Eu organizo o custo de cada corrida ou entrega por três tipos de gastos:

  • Custos variáveis (mudam de uma corrida para outra, como combustível)
  • Custos fixos (acontecem mesmo sem rodar, tipo seguro, limpeza e parcela do veículo)
  • Custos invisíveis (depreciação, taxas de apps, manutenção, impostos…)

Custos variáveis

São aqueles que mudam conforme a quantidade de corridas ou entregas, como:

  • Combustível
  • Pedágio
  • Estacionamento
  • Troca de óleo (proporcional ao rodar)

Calculo assim: se gasto R$ 200 de gasolina na semana para rodar 600 km, meu custo médio é R$ 0,33 por km.

Custos fixos

Aqui entra o que você paga todo mês, mesmo se o carro ou moto ficar parado:

  • Parcela do veículo ou aluguel
  • Seguro
  • IPVA e licenciamento (dividir o total pelo número de meses)
  • Lavagem
  • Internet e telefone (se usa para o trabalho)

Por exemplo: se pago R$ 1.000 de financiamento, R$ 200 de seguro, R$ 100 de IPVA/licenciamento e R$ 80 de lavagem por mês, o total de fixos é R$ 1.380/mês.

Custos invisíveis

Esses são os que quase ninguém vê, mas que fazem diferença no bolso:

  • Desgaste de pneus, freio e suspensão
  • Troca de peças ao longo do tempo
  • Desvalorização do veículo (quanto “perde” só por rodar e passar o tempo)
  • Taxas e descontos do app
  • Impostos (o autônomo desconta despesas, veja a referência da Secretaria de Comunicação Social)

Sobre a desvalorização, faço assim: se meu carro vale R$ 40.000 hoje e perde em média 10% ao ano, são R$ 4.000/ano, ou R$ 333/mês.

Passo a passo para calcular o custo por corrida ou entrega

Para não complicar, montei um passo a passo simples que sempre uso:

  1. Saber quantos quilômetros rodo por mês.
  2. Calcular quanto gasto por mês em combustível e manutenção.
  3. Somar todos os custos fixos e dividir pelo número de corridas ou entregas do mês.
  4. Somar as taxas, impostos e o tanto que “perco” só por rodar.
  5. Dividir o total de gastos pelo número de corridas ou entregas.

Parece complicado? Vou mostrar um exemplo real.

Exemplo prático com números reais

Imagine um motorista que trabalha 26 dias no mês e faz 8 corridas por dia, totalizando 208 corridas mensais.

  • Combustível: R$ 1.000/mês
  • Manutenção: R$ 300/mês
  • Parcela do carro: R$ 900/mês
  • Seguro: R$ 150/mês
  • IPVA/Licenciamento: R$ 100/mês
  • Lavagem: R$ 80/mês
  • Taxas do app: 20% sobre cada corrida (receita média por corrida: R$ 15; taxa: R$ 3/corrida; total mês: R$ 624)
  • Desvalorização do veículo: R$ 300/mês

Soma dos custos (tirando taxas do app, que já é sobre cada corrida):

1.000 (combustível) + 300 (manutenção) + 900 (parcela) + 150 (seguro) + 100 (IPVA/licenciamento) + 80 (lavagem) + 300 (depreciação) = R$ 2.830/mês

Agora, divide esse total pelas 208 corridas:

R$ 2.830 ¸ 208 = R$ 13,60 (custo fixo e variável por corrida, SEM a taxa do app)

Agora, some a taxa de R$ 3 por corrida:

R$ 13,60 + R$ 3 = R$ 16,60 (cada corrida custa, em média, R$ 16,60)

Se a corrida pagou R$ 15, você perdeu R$ 1,60 nela. Se pagou R$ 20, sobrou R$ 3,40.


Como saber se está valendo a pena?

Agora, você compara: quanto recebe na média de cada corrida? Se o valor for menor do que o custo, você está “pagando para trabalhar”. Já vi gente sair no prejuízo e só perceber ao fazer essa conta.

Muitos motoristas acreditam que estão lucrando, enquanto, na verdade, estão apenas trocando dinheiro. Por isso, controlar gastos é o primeiro passo para começar a sobrar.

É aqui que o Grana na Rua sempre bate: pesquisa da UFRJ mostra que a falta de controle dos custos leva ao fracasso de muita gente no primeiro ano de trabalho informal.

Como anotar e controlar tudo sem perder tempo?

Você não precisa planilha complicada ou sistema caro. No começo, peguei um caderno simples e anotava:

  • Quilômetros rodados
  • Quanto gastei de combustível
  • Quantas corridas/entregas fiz
  • Receita total do dia

Depois, criei uma conta rápida todo fim do dia. Quem quiser, pode buscar ferramentas e modelos no site do Grana na Rua. O importante não é a planilha, é saber se sobra ou falta no fim do mês.

Outra opção legal é usar o celular para anotar, tem aplicativos de notas que funcionam até offline. O segredo é criar o hábito. No começo, pode parecer chato, mas cedo ou tarde você vai perceber que só dá para crescer quando entende onde está perdendo dinheiro.

Dicas práticas para reduzir o custo por entrega ou corrida

Depois de entender o custo real, sempre procuro formas de enxugar as despesas. Vou listar algumas que funcionaram para mim:

  • Escolher bem os horários para trabalhar, evitando trânsito ou corridas curtas e mal pagas.
  • Fazer manutenções preventivas, pois esperar quebrar sai mais caro.
  • Abastecer em postos confiáveis, ainda que pareça um pouco mais caro. Combustível ruim aumenta gastos em manutenção.
  • Evitar deixar o carro/moto parado ligado (gasta combustível à toa).
  • Conferir taxas e analisar promoções dos aplicativos, pois às vezes parecem vantagem, mas acabam compensando só para um tipo específico de corrida.
  • Negociar seguros, parcerias em lavagem, descontos em oficinas e se possível, juntar com outros motoristas ou entregadores para obter preços melhores.
O melhor jeito de não perder dinheiro é parar de dar sorte para o azar.

Planejamento simples para não se enrolar no final do mês

Dou uma dica valiosa aqui: todo início de mês, reservo um tempinho para prever meus ganhos e custos. Faço um estimativa assim:

  • Quantas corridas/entregas pretendo fazer por dia?
  • Qual gasto médio de combustível (base nos últimos meses)?
  • Alguma manutenção ou documento vencendo?
  • Qual valor quero tirar “limpo” no final do mês?

Coloco tudo isso na ponta do lápis e vejo se o número fecha. Se não fechar, já vejo onde posso economizar, ajustar ou se preciso aumentar as horas rodando. Usar um planejamento simples, como oriento no Grana na Rua, evita surpresas ruins.

Erros que já cometi e que você pode evitar

Vivendo na rua, aprendi que erros pequenos viram prejuízos grandes:

  • Rodar muito só para “bater meta”, sem olhar para o lucro.
  • Ignorar custos pequenos, tipo lavagem, estacionamento e pedágio, achando que não fazem diferença.
  • Achar que “é só repor gasolina” e esquecer do desgaste do veículo e das taxas dos aplicativos.
  • Deixar para calcular tudo no fim do mês. Melhor fazer todo dia ou semana, pois resolve rápido e evita acúmulo de erros.
  • Só considerar o que entra, nunca o que sai.

Como identificar lucro real, na prática?

Depois de anotar tudo, faço a conta simples. Soma das corridas/entregas menos todos os custos calculados acima. Se ficou no positivo, tive lucro. Se ficou no negativo, preciso ajustar.

No blog do Grana na Rua tem exemplos de como ajustar e até aumentar o lucro investindo em coisas pequenas, como um bom pneu, revisão antecipada, organizar rotas melhores e negociar preços.

Quais informações são legais de acompanhar todo mês?

De todo esse processo, passo a checar mensalmente:

  • Custo médio por km e por corrida
  • Quilômetros rodados
  • Gastos fixos detalhados
  • Gastos variáveis totais do mês
  • Receita total e receita “líquida” (sem as taxas e custos)
  • Lucro no mês

Esses dados mostram onde ajustar ou trocar estratégia. Também ajudam muito se você precisar declarar impostos, porque autônomos podem deduzir custos, como explica a legislação oficial.

Onde buscar mais dicas e experiências de outros motoristas?

Dividir experiência faz parte do Grana na Rua. Muita coisa que aprendi foi trocando ideia, seja presencial ou em canais online. Também recomendo buscar conteúdos e exemplos com quem já está no mesmo caminho, como no perfil do Matheus Castellucci que sempre traz dicas e exemplos práticos.

Quando quero saber algo novo, ou comparar custos de outras cidades, pesquiso usando o campo de busca do portal. Sempre aparece alguma dica útil.

Conclusão: chegar no fim do mês com dinheiro sobrando

Vou ser direto: saber o custo real de cada corrida ou entrega é o que separa quem sobrevive de quem cresce trabalhando na rua. Não adianta rodar o dobro se o dinheiro não sobra no fim do dia. Fazendo um controle simples, que não toma muito tempo, consigo tomar decisões melhores. Ajusto rota, gasto, aceito ou recuso corridas de acordo com o que realmente é vantagem para mim.

No Grana na Rua, sempre mostro que não importa quanto entra, e sim quanto fica. Se você quiser aprender mais, buscar exemplos de outros trabalhadores ou baixar materiais que ajudam a organizar as contas, vale muito a pena acompanhar o projeto, ler os conteúdos do blog e conferir as novidades da comunidade. Bora fazer o dinheiro render de verdade?

Perguntas frequentes sobre custo por corrida Uber e entregas

Como calcular o custo de cada corrida?

Para calcular o custo de cada corrida, some todos os seus gastos mensais (combustível, manutenção, parcelas, seguro, taxas de apps, depreciação) e divida pela quantidade de corridas ou entregas feitas no mês. Não esqueça dos “gastos invisíveis”.

Quais fatores influenciam o custo por corrida?

O custo por viagem varia conforme quilometragem, preço do combustível, condição dos pneus, frequência de manutenção, taxas dos aplicativos, preço do seguro, valor mensal de documentos do carro, e gastos menores como estacionamento e lavagem.

Vale a pena rodar para Uber ou 99?

Depende de como você controla custos e do valor médio que recebe por corrida. Se os ganhos médios forem acima do seu custo médio por viagem, vale a pena. Se não, está pagando para trabalhar. O segredo é fazer a conta sempre, e avaliar lucro real, não só o dinheiro que entra.

Como reduzir o custo das entregas diárias?

Fazendo revisões preventivas, economizando combustível, escolhendo corridas/entregas mais vantajosas, negociando descontos em oficinas e lavagens, abastecendo em postos confiáveis, e controlando todos os detalhes do dia a dia. Pequenas mudanças geram boas economias no fim do mês.

Onde encontrar planilha para calcular custos?

Você pode criar sua planilha manual ou baixar modelos no blog Grana na Rua, onde listo exemplos simples e gratuitos. Quem preferir, pode usar aplicativos de anotação ou até o bloco de notas do celular. O importante é registrar tudo e recalcular sempre que algo mudar.

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Se você chegou até aqui, já está na frente da maioria.

Se você chegou até aqui, já está na frente da maioria. A maioria trabalha todos os dias… mas não entende para onde o dinheiro está indo. Aqui você aprende, de forma simples e direta, como controlar seus ganhos, evitar prejuízos e fazer o dinheiro realmente sobrar no final do dia. Sem teoria complicada. Sem enrolação. Só prática.

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